Mulheres em Negro e Branco – Projeto Fotográfico

Em um certo momento de minha carreira fotográfica eu entrei em crise. Uma crise criativa. Olhei para todos os tipos de fotos que eu fazia e me perguntei se havia alguma relevância em tudo aquilo. Fiquei um bom tempo sem fotografar com essa angústia e só consegui resolver meu problema com os ensinamentos do fotógrafo Iatã Cannabrava sobre ensaio fotográfico.

Como já falei no texto sobre o projeto Espírito na Pele, um ensaio fotográfico é um conjunto de fotos que contam uma história e possuem uma unidade temática ( história) e a unidade formal (estética). Todas as fotos precisam funcionar em conjunto e mostrar o conceito em que foram pensadas.

Um dos ensaios fotográficos mais significativos de minha trajetória é aquele que intitulei “Mulheres em Negro e Branco”, concebido a partir de uma inquietação relacionada à representatividade no campo da fotografia. Sua origem está, sobretudo, na leitura do ensaio Questão de Pele, de Lorna Roth, no qual a autora evidencia como, ao longo de grande parte do século XX, a indústria fotográfica — em especial a Kodak — privilegiou a reprodução de tons de pele brancos, negligenciando a adequada representação de pessoas negras.

A essa reflexão somou-se a declaração da Editora Abril de que, em quatro décadas de circulação da revista Playboy no Brasil — totalizando 486 edições — apenas nove capas foram protagonizadas por mulheres negras. Por fim, observações realizadas nas redes sociais, particularmente no contexto regional, reforçaram a percepção da baixa presença de mulheres negras em produções fotográficas.

Nesse contexto, o projeto “Mulheres em Negro e Branco” foi desenvolvido como uma tentativa de tensionar e transformar essa realidade. A proposta consistiu na realização de retratos de mulheres negras em preto e branco, produzidos sob condições técnicas rigorosamente padronizadas — mesma iluminação, mesma câmera e mesma lente. Dessa forma, buscou-se evidenciar, como elemento central de diferenciação, a singularidade e a expressividade de cada retratada, que possuía liberdade plena na construção de sua pose.

O projeto foi desenvolvido ao longo de dois anos, período em que foram fotografadas diversas mulheres, resultando em um conjunto de 22 retratos. Além da participação na série, cada modelo foi contemplada com um ensaio fotográfico completo.

As imagens finais foram impressas no formato 30 x 45 cm e integraram uma exposição realizada no Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente. A realização deste trabalho proporcionou não apenas um aprofundamento técnico e estético, mas também experiências humanas significativas e amplo reconhecimento no âmbito regional.

E se você também quer entrar no mundo do ensaio fotográfico, da fotografia autoral e do fine art então eu convido você a fazer o meu curso on-line de fotografia como arte. É baratinho.

Abaixo temos as fotos que fizeram parte do projeto.

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Eu sou Gilson Lorenti

Fotógrafo de mulheres, mentor de fotografia e fã de música e cinema. Esse é meu blog onde falo um pouco sobre todos esses assuntos. Seja bem vindo.

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