Eu sou Gilson Lorenti, fotógrafo em Presidente Prudente, uma cidade no interior de São Paulo, mais especificamente na região conhecida como Pontal do Paranapanema. Nas duas últimas décadas me especializei em retratos femininos e desenvolvi um trabalho de fotografia de nu artístico que trouxe grande satisfação para o meu lado criativo.
Existem algumas profissões onde a passagem do tempo se torna muito mais evidente. Quem trabalha com artes, de maneira geral, sente isso. Um dia, você está dando uma olhada em seu portfólio e se depara com imagens que você fez muito tempo atrás. Duas coisas impactam nesse momento. A primeira é perceber que o tempo está passando e que você não é mais tão jovem assim. A segunda é perceber como nossa percepção da fotografia muda com o passar do tempo. E isso é uma coisa boa.
A fotografia deve ser um objeto mutante, pois ela reflete nossa personalidade. Não existe fotografia desatrelada de nossa ideologia ou psicologia. O que é bonito hoje pode ser horrível amanhã para nossa percepção. Já que o ser humano muda com o passar do tempo e o acúmulo de suas experiências, a sua fotografia muda junto com ele. E essa é uma das coisas mais belas de quem trabalha com produção de conteúdo com essa pegada mais artística.
Olhando meu portfólio hoje, nesse feriado em terras paulistas, me deparei com alguns ensaios feitos com a Vanessa, conhecida hoje como Vann Sanches nas redes sociais, mas na época ela produzia conteúdo com o nome de Madamme Val. O primeiro ensaio que fiz com ela foi em 2011 e o último em 2018. Posso dizer que ela foi a minha primeira musa inspiradora. Uma pessoa muito criativa e fonte de vários ensaios temáticos, sempre com uma atmosfera sensual. Tive outras musas com o passar do tempo, mas ela foi a primeira que se encaixa nessa categoria.
Me chamou a atenção o ensaio que mostro nesse texto. Embora eu tenha 30 anos de experiência em fotografia, a minha história com fotografia de estúdio é bem mais recente. O primeiro flash de estúdio que comprei foi há uns 15 anos atrás. Não tinha ninguém aqui na cidade para dar as primeiras aulas sobre o tema, então tive que aprender tudo sozinho. Então, nos primeiros ensaios, utilizei uma luz que hoje acho horrível. Muito chapada, forte, sem sombras. Na época achava o máximo, mas hoje acho horrível.
Essa que é a beleza da coisa. Você nunca é a mesma pessoa na fotografia então a sua obra está em constante mudança. Nesse ensaio, feito exatamente há 13 anos, utilizei dois flash Atek 200 Master. Um flash sem nada digital e com controles bem simples. O modificador de luz foram duas sombrinhas rebatedoras brancas. A câmera foi uma Canon 7D e a lente foi uma Canon EF 28mm f/1,8. Sim, uma lente grande angular, pois o estúdio era pequeno e as fotos eram quase de corpo inteiro. Hoje vejo essas fotos como um tijolinho colocado na construção do que me tornei hoje. Mas, sempre bate aquela vontade de ter a chance de refazer tudo novamente.
Outra coisa que mudou muito em mim foi a forma de editar as imagens dos ensaios femininos, mas a maneira como essas fotos foram editadas na época não me agridem muito hoje.
Abaixo uma pequena amostra desse ensaio.

























Deixe um comentário