Bruce Dickinson é uma unanimidade. Considerado um dos melhores vocalistas de todos os tempos dentro do Heavy Metal, ele era o homem de frente de uma das grandes bandas do estilo nos anos oitenta: o Iron Maiden. Porém, algo aconteceu. No começo dos anos 90 ele decidiu deixar o Iron Maiden e investir em uma carreira solo. Bruce já tinha se aventurado em outras pradarias com um disco divertido chamado Tattooed Millionaire em 1990, mas ele queria mais. O mundo ficou chocado, mas entendo a necessidade de fazer algo diferente e seguir caminhos não trilhados onde seus atuais companheiros não poderiam segui-lo.

A prova disso foi o som que encontramos em seu primeiro disco após sair do Iron Maiden, o estranhamento batizado de Balls to Picasso, lançado em 1994. Quem esperava algo parecido com o Iron Maiden ficou muito decepcionado. O som era rock, mas com gigantescas doses de música alternativa. Muita gente gostou e muita gente odiou. Mas, um grande mérito desse disco foi o lançamento da megabalada épica Tears of the Dragon.

Provando que talvez estivesse meio perdido em seu caminho, Bruce lança em 1996 o disco Skunkworks . Mais uma vez não é heavy metal. O que temos aqui é uma salada de rock alternativo que não agradou ninguém. Entrevistas da época tão conta que o intuito do vocalista com esse disco era lançar uma banda com o nome Skunkworks , mas essa tentativa naufragou junto com a péssima repercussão do disco.

Cansado de não dar certo, em 1997 Bruce toma uma decisão radical. Ele decide voltar ao Heavy Metal. E isso é ele mesmo quem conta em entrevistas: “as pessoas me conhecem como um cantor de heavy metal, então eu vou voltar ao heavy metal”. Para essa empreitada ele chama seu velho companheiro de Iron Maiden, o guitarrista Adrian Smith, e junto com Roy Z (guitarras), Eddie Casillas (baixo) e David Ingraham (bateria), eles lançam em 1997 o disco Accident of Birth.

Acho que não tem muito o que dizer sobre esse disco, além de que ele é perfeito. Esse é o álbum que fez Bruce Dickinson renascer para os fãs do Iron Maiden e também para todo apreciador de heavy metal. Músicas certeiras, rápidas, com uma melodia incrível e que transpiram uma poderosa energia. Embora seja um disco completo de heavy metal, muito do experimentalismo dos dois primeiros discos da carreira solo do cantor podemos encontrar como inspiração em algumas construções harmônicas, principalmente nas faixas Freak e Starchildren. O resto é um trabalho certeiro dos instrumentistas e a voz perfeita de Bruce em todas as composições.

Eu comprei o disco no lançamento. Estava animado para ouvir, pois era uma promessa de volta de um ícone ao estilo musical que mais gosto, ainda mais com o guitarrista dos solos mais clássicos do Iron Maiden. A primeira vez que ouvi fiquei estarrecido. Tive que ouvir novamente e ouço constantemente desde o dia que comprei. Minhas músicas preferidas são Dark Side of Aquarius, Road to Hell, Man of Sorrow, The Magician (espetacular), Omega e Arc of Space. O resto é apenas história. Bruce continuou lançando ótimos discos em sua carreira solo e, em 2000, ele retornou ao posto de vocalista do Iron Maiden.

Embora os fãs possam não admitir, Accident of Birth é uma obra de arte que supera em qualidade qualquer coisa que o Iron Maiden lançou depois da volta de Bruce ao posto de vocalista. É um daqueles álbuns que se torna obrigatório na coleção de qualquer um que goste de música pesada, ou simplesmente que goste de boa música. Eu sinceramente gostaria que Bruce Dickinson tivesse continuado em sua carreira solo nos brindando com ótimos discos, livre das amarras de uma banda que está presa a trilhos determinados por outra pessoa. Bruce precisa de liberdade para brilhar.

Em 2005 foi lançada uma edição expandida do álbum com um disco extra com 9 faixas contendo versões demo, versões com orquestra e versões de rádio para algumas faixas do disco original. Uma curiosidade para fãs.

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Eu sou Gilson Lorenti

Fotógrafo de mulheres, mentor de fotografia e fã de música e cinema. Esse é meu blog onde falo um pouco sobre todos esses assuntos. Seja bem vindo.

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