Hoje, andando pelo Twitter (não consigo chamar de X), encontrei uma notícia muito interessante. A Sony está avisando os usuários de seu sistema de vendas, a Playstation Store, que mais de 500 títulos pertencentes à StudioCanal serão retirados de sua loja. O problema é, que os usuários que compraram esses títulos não terão mais acesso e eles serão retirados de suas bibliotecas particulares. A StudioCanal produziu alguns títulos clássicos dos anos 80 e 90 como Terminator 2 ,  Total Recall e Confessions of a Dangerous Mind, e provavelmente o contrato de sessão de direitos de uso junto a Sony deve ter terminado. Porém, quem comprou os títulos vai simplesmente ficar sem o conteúdo e não vai ter nenhuma compensação.

Claro que esse tipo de acontecimento deve estar bem detalhado nos termos de uso do serviço, naquelas letras miúdas que ninguém realmente lê antes de clicar no botão de “concordar”, mas nos mostra mais uma vez que nada que é digital é realmente seu. Quando as plataformas de streaming surgiram, o mercado de mídia física praticamente desapareceu. Antes do digital, para ter acesso a um filme, você deveria alugar em uma locadora ou comprar a mídia. O digital trouxe praticidade, mas também a noção de que não compramos nada, apenas alugamos.

Filmes entram e saem do catalogo da Netflix (e de todas as outras plataformas de streaming) e você nunca tem a certeza de ter acesso a esse conteúdo de forma permanente. Com a música é a mesma coisa. O Spotify vive trocando músicas e reconstruindo álbuns inteiros em sua plataforma. Você paga, mas não tem acesso à obra da maneira que ela foi criada. E plataformas que vendem filmes e séries para seus usuários também não garantem que elas estarão disponíveis para sempre para os usuários que gastaram dinheiro em sua compra.

Além do fato de não sermos donos de nada, isso prova também que a memória das mídias vai se perder um dia. Eu tenho alguns filmes em minha memória que adoraria assistir novamente, mas não estão disponíveis em local nenhum das plataformas on-line. Mas, ainda consigo encontrar a mídia física usada no Mercado Livre, por exemplo. Isso mostra que o digital pode ter sido um grande avanço, mas não garante acesso à todas as obras cinematográficas. Com a música é pior. Uma das práticas mais comuns do Spotify, por exemplo, é substituir um disco quando uma versão remasterizada é lançada. As vezes essa versão é bem diferente do original e a memória da música se perde nesse mundo de usos temporários.

Pode parecer primitivo, mas só quem mantém a mídia física como padrão de consumo tem garantia de acesso ao produto em qualquer dia ou lugar. Uma realidade bem contraditória quando pensamos em nosso mundo digital atual.

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Eu sou Gilson Lorenti

Fotógrafo de mulheres, mentor de fotografia e fã de música e cinema. Esse é meu blog onde falo um pouco sobre todos esses assuntos. Seja bem vindo.

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