Hoje cedo, como de costume, dei uma olhada nas principais notícias dos jornais on line e descobri uma polêmica envolvendo a cantora Elis Regina. Ao que parece, os três filhos da cantora, que são detentores dos direitos de publicação e relançamentos dos trabalhos da mãe, aprovaram um projeto de remasterização e remixagem do disco Elis que foi lançado originalmente em 1973. O problema é que o ex-marido de Elis, César Camargo Mariano, que tocou piano nesse disco e ajudou nos arranjos e composição de várias faixas, criticou duramente a nova roupagem das músicas dizendo que as mudanças destroem totalmente o sentido de algumas composições. Você pode saber sobre essa treta aqui nesse texto publicado no jornal O Estado de São Paulo.
Apesar de conhecer a cantora Elis Regina (tenho algumas coletâneas da artista), não sou um fã tão entendido assim na obra para avaliar quem está certo nessa discussão, mas é óbvio que existe um grande problema com alguns processos de relançamentos de álbuns clássicos. Existem três momentos principais na produção de um disco. O processo de gravação, o processo de mixagem e o processo de masterização. A gravação é o princípio. Cada instrumento e vocais é gravado de forma independente em um canal sonoro. Depois, na mixagem, um engenheiro coloca todas essas gravações independentes em um único arquivo. E por fim, na masterização, essa música será lapidada, equalizada e será dado saída em arquivos com diferentes amplitudes sonoras, dependendo do formato final (vinil ou CD). Esse arquivo final é o que chamamos de fita master.
O que acontece atualmente é que vários discos clássicos estão sendo relançados com um novo processo de masterização. Na realidade isso não é ruim, pois temos uma fita original que pode ser novamente masterizada com processos e tecnologias modernas. A mesma coisa acontece com a fotografia. Podemos pegar um arquivo RAW antigo e processar novamente com programas atuais conseguindo extrair mais qualidade dessa foto. Porém, o que tem acontecido com a música é que os processos de remasterização estão produzindo músicas diferentes. Sim, engenheiros de som estão com a liberdade de mudar a equalização das músicas e entregam arquivos que possuem muitas diferenças em relação ao disco original. Outro problema encontrado é que vários desses novos lançamentos estão com faixa dinâmica (amplitude sonora) bem menor do que os lançamentos originais, o que seria uma queda de qualidade mesmo com processos mais modernos.
Um exemplo de boa remasterização é a última prensagem dos discos do Iron Maiden que foram lançados em formato digipack. As músicas estão mais nítidas, com a mesma equalização do original, mas com um leve maior destaque para bateria e o contrabaixo. Não causa estranheza e todo mundo gostou. Já a remasterização do disco Shadow of the Moon do Blackmore’s Night ficou tão estranha que eu não consigo ouvir ela. Quem teve uma ideia interessante foi o Blind Guardian que relançou todos os seus discos remasterizados em uma versão dupla onde você tem o álbum original e o remasterizado.
Algumas pessoas discutem que o processo de remasterização com todas as mudanças que estão executando é um problema grave de memória musical. A maioria das pessoas hoje em dia ouvem música através de streaming. Na maior parte dos casos, quando um disco remasterizado é lançado, o serviço de streaming não mantem a cópia original. Afinal, espaço de armazenamento custa muito dinheiro. Então o que temos é um problema de memória musical, pois só quem possui a mídia física em casa vai ter acesso ao álbum em sua forma original.
Nesse caso da Elis Regina, felizmente, o Spotify manteve as duas versões. Você pode encontrar o álbum original lançado em 1973 e a nova versão lançada em 2026. As diferenças são bem sensíveis. Porém, analisando de forma isenta, se você nunca ouviu a obra original e não possui nenhum vínculo afetivo em relação a esse trabalho, existe a possibilidade de você gostar mais da nova versão. Tudo é uma questão de gosto. O certo é que sempre tivéssemos acesso a todas as versões para manter a memória e para que cada um escolha aquilo que mais lhe agrada.
Alguns anos atrás eu gravei um vídeo para nosso canal de música falando de exemplos bons e ruins de remasterizações. Deixo o vídeo abaixo para quem tiver curiosidade.




![Canon 5D Mark II – uma câmera revolucionária [YOUTUBE]](https://fotografiaemusica.com/wp-content/uploads/2026/05/canon_5d_markii.jpg)


![Escolhendo a Primeira Câmera Fotográfica Profissional [YOUTUBE]](https://fotografiaemusica.com/wp-content/uploads/2026/05/escolhendo_a_primeira_camera.jpg)
Deixe uma resposta