Quando eu comecei no mundo da fotografia, em 1995, eu frequentava muito a Oficina Cultural aqui da cidade. Para quem não sabe, a Secretaria de Cultura do estado de São Paulo possuia um projeto chamado de Oficinas Culturais. Eram várias unidades espalhadas pelo Estado onde eram ministrados, gratuitamente, cursos voltados para todas as vertentes da arte e da cultura. Então foi nesse local que fiz os meus primeiros cursos de fotografia.
Entre os professores conheci o fotojornalista Paulo Miguel. Foi ele que me falou pela primeira vez do Shokonsai, uma festa realizada pela comunidade nipônica do município de Álvares Machado para celebrar a memória dos antepassados. E essa festa acontecia em um cemitério japonês, o que deixava tudo ainda mais interessante. O professor Paulo Miguel sempre dizia que era um ótimo local para fotografar, pois o clima era de elevação espiritual. Algum tempo depois consegui comprovar tudo isso com a minha primeira visita à celebração e me tornei fã da festa.
Em 2010, já como professor da mesma Oficina Cultural onde comecei a aprender fotografia, consegui convencer a instituição a liberar um workshop completo de ensaio fotográfico tendo como objetivo fotografar o shokonsai daquele ano. Foi um workshop de 30 horas onde me orgulho muito do trabalho realizado e de tudo o que aprendi e ensinei. Depois disso, fiquei alguns anos sem visitar o Shokonsai, mas agora em 2025 retornei ao local e fiquei bem impressionado com tudo o que vi.

O nome Shokonsai significa “Convite às Almas”. É realizado no segundo domingo de Julho e acontece no Cemitério Japonês de Álvares Machado. Aliás, esse é o único Cemitério Japonês (ohaka) fora do Japão e uma das poucas coisas na região do Oeste Paulista tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turismo do Estado de São Paulo). Quando comecei a frequentar a festa, muitos anos atrás, ela acontecia em apenas 1 dia, no domingo. De manhã acontecia um culto budista no templo que existe no local. Durante o dia aconteciam apresentações artísticas em um pequeno palco. Tinhamos dança, música, karaokê e grupos de Taiko. No fim do dia acontecia o momento mais esperado da celebração: a cerimônia das velas. Uma vela é acendida em cima de cada tumulo do cemitério perto do pôr-do-sol. A cena é belíssima e possui um significado espiritual muito forte.

Existe uma lenda que permeia o Shokonsai e que acho muito interessante. A festa já acontece há 105 anos. Segundo consta, nunca choveu no dia da festa. Essa parte podemos até explicar, pois o inverno no Oeste Paulista é frio e seco. Outra lenda é que na hora da cerimônia das velas o vento sempre para, permitindo que todas as 700 velas fiquem acesas. Eu já fui várias vezes ao local na festa e, mesmo em dias com muito vento, na parte da ele ameniza possibilitando que todas as velas fiquem acesas. Não vou tentar explicar, acho que é uma coisa apenas para sentir.

Minhas surpresa no ano de 2025 é que o Shokonsai se transformou. Investiram pesado para transformar a festa em um evento gastronômico poderoso. Pavilhões foram montados e obras estéticas foram feitas para embelezar o local. O que era uma festa pequena se transformou em algo grandioso e que agora tem a duração de 3 dias. Achei interessante as mudanças, mas o que pode ser positivo para alguns se torna negativo para outros. A cerimônia das velas, que antes era algo reflexivo, agora se tornou um evento multimídia. Enquanto as velas queimavam pessoas corriam entre os túmulos para fazer selfies. Algo que achei extremamente desrespeitoso. Mas, do ponto de vista econômico, a festa deve ter rendido um bom dinheiro.

Eu fui ao Shokonsai agora em 2025 justamente para fotografar a cerimônia das velas, pois a última foto que eu tinha do evento foi feita com uma câmera bem antiga. Queria uma imagem com uma câmera mais recente, com melhor qualidade de cor. Fiquei um pouco triste por conta da cena que presenciei ao final, mas as fotos ficaram interessantes. Abaixo um vídeo que gravei falando do evento. Ao longo do texto eu deixo as fotos que realizei.

Se você mora na região de Presidente Prudente, uma boa pedida no mês de julho é o Shokonsai. Vale a pena vir, curtir as apresentações artísticas e provar a culinária oriental da região.


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